Porque você não deveria fazer a prótese protocolo com implantes dentários.

prótese protocolo com implantes dentários

Olá amigos, Jean Dentista aqui, após gravar muitos vídeos sobre e receber inúmeros comentários, hoje escrevo algo direto ao ponto sobre Porque você não deveria fazer a prótese protocolo com implantes dentários se não tem indicação.

Tudo começou aqui neste vídeo.

Depois de ler inúmeros comentários eu percebi que o arrependimento da prótese protocolo se concentra em alguns pontos :

  • Você espera que os dentes protéticos sejam iguais seus dentes
  • Você pagou caro e achou que nunca mais voltaria ao dentista
  • Se é difícil de limpar não vale a pena .
  • Porque o dentista não me falou isso antes?

E não é bem assim!

Primeiro vamos deixar claro o que é a prótese protocolo. Essa dúvida veio na minha caixinha de perguntas do instagram, todos os dias está aberta para você perguntar a seu dúvida e economizar no seu dentista.

De maneira simples, a prótese protocolo é uma prótese dentária fixa apoiada sobre implantes.

Imagine uma pessoa que perdeu todos os dentes de uma arcada, ou que possui dentes com um prognóstico tão ruim que a extração realmente é necessária.

Nesse caso, podem ser instalados alguns implantes no osso e, sobre esses implantes, confeccionada uma prótese com vários dentes unidos.

Diferentemente de uma dentadura convencional, que o paciente remove para higienizar, a prótese protocolo normalmente fica parafusada sobre os implantes.

O paciente não tira e coloca a prótese em casa.

Isso traz uma sensação de segurança muito maior para muitas pessoas.

Ela não fica simplesmente apoiada sobre a gengiva como uma dentadura convencional.

Mas aqui começa um dos maiores problemas de interpretação.

Fixa não significa indestrutível.

E muito menos significa:

“Coloquei e nunca mais preciso me preocupar.”

Na verdade, em alguns aspectos, acontece justamente o contrário.

Você está colocando dentro da sua boca um tratamento sofisticado, com implantes, componentes, parafusos e uma prótese que estará submetida todos os dias à força da mastigação.

Isso precisa ser cuidado.

O primeiro paciente que talvez não devesse fazer protocolo: aquele que escolhe dentista apenas pelo preço

Eu entendo perfeitamente que preço importa.

Tratamento odontológico custa dinheiro.

Para muitas famílias, um tratamento com implantes representa meses ou até anos de economia.

O problema não é pesquisar preço.

O problema é pesquisar somente preço.

Quando alguém pesquisa uma televisão, compara preço, marca, garantia, assistência técnica, qualidade da tela e reputação da empresa.

Mas, curiosamente, algumas pessoas pesquisam uma cirurgia que será realizada dentro do próprio corpo perguntando apenas:

“Quanto custa o protocolo?”

E aí começa uma corrida perigosa.

Um orçamento custa X.

Outro custa um pouco menos.

Outro promete fazer por metade.

E o paciente começa a escolher como se estivesse comprando exatamente o mesmo produto em lojas diferentes.

Só que tratamentos odontológicos não funcionam assim.

Você não está comprando apenas uma prótese.

Existe diagnóstico.

Existe planejamento.

Existe cirurgia.

Existe posicionamento dos implantes.

Existe quantidade e qualidade óssea.

Existe escolha dos componentes.

Existe laboratório de prótese.

Existe ajuste da mordida.

Existe acabamento.

Existe acompanhamento.

E existe manutenção depois de tudo pronto.

Dois tratamentos chamados de “prótese protocolo” podem ter diferenças enormes na maneira como são planejados e executados.

Por isso, se a sua primeira, segunda e terceira pergunta para escolher o profissional são apenas sobre preço, talvez você esteja começando esse tratamento pelo critério errado.

Preço precisa fazer parte da decisão. Mas não deveria ser a decisão inteira.

“Doutor, meus dentes dão muito problema. Não é melhor arrancar tudo?”

Essa é uma frase que escuto e que merece muito cuidado.

Algumas pessoas chegam cansadas.

Já fizeram restaurações.

Já tiveram canal.

Já perderam dentes.

Alguns dentes quebraram.

Outros estão com mobilidade.

E então aparece uma ideia aparentemente lógica:

“Se os dentes naturais dão problema, eu tiro tudo, coloco implantes e resolvo de uma vez.”

Parece simples.

Mas existe uma armadilha nessa lógica.

Precisamos descobrir por que aqueles dentes chegaram naquela situação.

Foi apenas azar?

Ou durante muitos anos houve higiene inadequada?

Falta de consultas periódicas?

Tabagismo?

Bruxismo?

Alimentação frequente rica em açúcar?

Doença periodontal?

Longos períodos sem tratamento?

Porque arrancar os dentes pode retirar os dentes do problema.

Mas não necessariamente retira os hábitos que causaram o problema.

E os implantes também precisam de higiene.

A prótese protocolo também acumula biofilme.

A região ao redor dos implantes também pode inflamar.

Implantes também podem perder suporte ósseo.

A prótese também pode quebrar.

Parafusos também podem apresentar problemas.

Ou seja:

implante não é uma licença para deixar de cuidar da boca.

Se uma pessoa perdeu dentes principalmente porque nunca conseguiu estabelecer uma rotina mínima de higiene e acompanhamento, colocar uma prótese protocolo sem mudar esse comportamento pode simplesmente trocar um tipo de problema por outro.

Esse é um ponto que eu gostaria que muito mais pacientes entendessem antes de extrair dentes.

Dente natural não é descartável

Existe também uma tendência preocupante de algumas pessoas enxergarem os dentes naturais quase como peças velhas.

“O dente já tem restauração.”

“Esse já fez canal.”

“Esse está meio feio.”

“Não seria melhor arrancar tudo e colocar implante?”

Não necessariamente.

Quando um dente possui possibilidade razoável de tratamento e manutenção, preservar esse dente pode ser uma excelente escolha.

É claro que existem situações em que dentes realmente não podem ou não devem ser mantidos.

Cada caso precisa ser avaliado individualmente.

Mas a extração é irreversível.

Depois que o dente foi removido, ele não volta.

Por isso, uma decisão tão importante não deveria ser tomada apenas porque parece mais rápido começar “do zero”.

Algumas vezes a odontologia mais interessante não é substituir tudo.

É salvar aquilo que ainda pode ser salvo.

“Mas se eu estou pagando caro, não deveria durar para sempre?”

Essa talvez seja uma das expectativas mais perigosas.

O raciocínio é compreensível:

“Estou pagando muito dinheiro. Então isso deveria durar o resto da minha vida.”

Mas pense em outras coisas caras.

Um carro caro precisa de manutenção.

Uma casa cara precisa de manutenção.

Um relógio caro precisa de manutenção.

Um equipamento médico sofisticado precisa de manutenção.

Por que uma prótese que fica dentro da boca, recebendo milhares de ciclos de mastigação, umidade, alterações de temperatura e forças musculares todos os dias não precisaria?

Uma prótese protocolo pode ter excelente durabilidade.

Mas isso não significa que absolutamente nada acontecerá com ela ao longo dos anos.

Pode existir desgaste dos dentes da prótese.

Pode ser necessário polimento.

Pode existir necessidade de ajuste.

Pode acontecer soltura ou desgaste de componentes.

Dependendo do material e das forças envolvidas, pode ocorrer fratura.

A mordida pode mudar.

O tecido ao redor dos implantes precisa ser acompanhado.

E a própria higiene precisa ser constantemente avaliada.

Manutenção não significa que o tratamento deu errado.

Manutenção faz parte do tratamento.

O problema acontece quando o paciente compra mentalmente a ideia de que está pagando por uma solução eterna e completamente livre de cuidados.

Prótese fixa não significa higiene fácil

Aqui o problema é que mexe no bolso do pacientes. Consultas e irrigadores orais.

Outro erro muito comum é imaginar:

“Agora que não tenho mais dentes naturais, não preciso me preocupar tanto com escovação.”

É justamente aí que começa o problema.

Existe uma região entre a prótese e a gengiva.

Restos alimentares podem se acumular nessa área.

Biofilme bacteriano também.

Por isso, dependendo do desenho da prótese e da anatomia do paciente, podem ser necessários recursos como escovas específicas, escovas interdentais, passa-fio, irrigador oral e outras orientações individualizadas.

E existe um detalhe importante.

Uma pessoa que nunca teve paciência para higienizar os dentes naturais provavelmente não acordará magicamente apaixonada por higiene bucal depois de instalar implantes.

É preciso entender isso antes.

Não depois.

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O problema da expectativa criada pelos anúncios

A publicidade odontológica costuma mostrar uma parte muito atraente do tratamento.

O antes.

A cirurgia.

O depois.

O sorriso.

O paciente mordendo alguma coisa.

O depoimento emocionado.

Tudo isso pode fazer parte do resultado.

Mas existe uma parte menos emocionante que raramente aparece:

o que acontece nos próximos 5, 10 ou 15 anos.

É nessa parte que aparecem os retornos.

As higienizações.

Os exames de controle.

Os ajustes.

A avaliação dos implantes.

A necessidade de corrigir pequenos problemas antes que eles se tornem grandes.

Talvez a pergunta correta não seja apenas:

“Quanto custa para colocar?”

Talvez você também devesse perguntar:

“Como será a manutenção desse tratamento?”

“O que eu vou precisar fazer em casa?”

“Com que frequência precisarei retornar?”

“Que problemas podem acontecer com essa prótese?”

“O que acontece se alguma peça quebrar?”

Essas perguntas dizem muito mais sobre a qualidade da sua decisão do que simplesmente descobrir quem oferece o menor orçamento.

Então quem NÃO deveria fazer uma prótese protocolo?

Eu teria bastante cautela principalmente com o paciente que:

  • acredita que implantes nunca terão problemas;
  • quer extrair dentes tratáveis apenas para “não incomodar mais”;
  • não pretende mudar hábitos ruins de higiene;
  • não aceita a ideia de manutenção;
  • acredita que pagar caro significa nunca mais voltar ao dentista;
  • escolhe o profissional exclusivamente pelo menor preço;
  • não quer realizar acompanhamento periódico;
  • espera que a prótese funcione como dentes naturais perfeitos e indestrutíveis.

Isso não significa que essas pessoas nunca possam receber implantes.

Significa que talvez elas precisem primeiro entender melhor o tratamento e ajustar suas expectativas.

E para quem a prótese protocolo pode ser excelente?

Para o paciente corretamente indicado, a prótese protocolo pode transformar a qualidade de vida.

Especialmente para pessoas que realmente perderam seus dentes, possuem grande dificuldade com próteses removíveis ou apresentam uma condição em que a reabilitação com implantes é adequada.

Pode melhorar segurança para mastigar.

Pode trazer conforto.

Pode melhorar a estética.

Pode devolver confiança para conversar e sorrir.

Mas os melhores resultados aparecem quando existe uma parceria.

O dentista faz a parte dele.

O laboratório faz a parte dele.

E o paciente faz a parte dele.

Se você está procurando uma prótese protocolo, pesquise o dentista de outra maneira

Em vez de perguntar apenas:

“Quanto custa?”

Pergunte também:

Por que você está indicando esse tratamento para mim?

Existe algum dente que ainda pode ser preservado?

Quantos implantes serão utilizados e por quê?

Qual material será utilizado na prótese?

Como será minha higiene depois?

Que tipo de manutenção eu precisarei fazer?

O que pode acontecer com essa prótese ao longo dos anos?

E talvez uma das perguntas mais importantes:

Se você estivesse no meu lugar, faria esse tratamento agora?

Um bom tratamento começa muito antes da cirurgia.

Começa em uma conversa em que paciente e dentista entendem exatamente onde estão entrando.

Minha opinião como dentista

Eu gosto de implantes.

Gosto de próteses.

E considero a prótese protocolo uma ferramenta fantástica da odontologia.

Mas não acho que ela deva ser vendida como uma solução mágica para todos os problemas dentários.

Meu objetivo não deveria ser convencer todas as pessoas a colocar implantes.

Meu objetivo deveria ser ajudar cada paciente a tomar a melhor decisão possível para a própria boca.

Algumas vezes essa decisão será uma prótese protocolo.

Em outras situações será preservar dentes.

Em outras será uma prótese removível.

E em alguns casos talvez seja simplesmente tratar primeiro a doença e mudar hábitos antes de começar uma reabilitação maior.

Porque o sucesso de uma prótese protocolo não depende apenas do que o dentista coloca na sua boca.

Depende também do que você fará com ela nos anos seguintes.

Se você está pensando em fazer esse tratamento, não procure apenas alguém que coloque implantes.

Procure alguém que esteja disposto a explicar por que você precisa deles — e se realmente precisa.

Esse tipo de conversa pode valer muito mais do que qualquer desconto.

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